COMO DEVEMOS PENSAR A ILUMINAÇÃO DE IGREJAS? 
Parte 2


Por Teresa Cristina Cavaco Gomes
Arquiteta e Especialista em Iluminação

Dando continuidade ao post anterior, a “parte 1”  deste tema, sabemos que a iluminação tem papel fundamental na contribuição de um ambiente mistagógico e que o uso da luz, em suas diversas formas, é indubitavelmente importante nas celebrações. Pois bem, vejamos a sua relação com o fiel: a iluminação como percepção visual do espaço sagrado.

A experiência positiva e ativa do fiel que participa da celebração está diretamente ligada à sua percepção visual do espaço e de todos os seus elementos. Tudo o que está a sua volta trará estímulos visuais que causarão sensações, positivas ou negativas, conforme seu conhecimento e o significado que o fiel dará para o que ele está vendo.

A iluminação como elemento funcional, simbólico e de destaque deve contemplar a arquitetura e a liturgia. Deverá permitir a visualização e leitura do edifício, dos objetos e prever o comportamento das pessoas com o objetivo de auxílio de conduzi-las ao mistério celebrado.

A iluminação, muito mais do que apenas proporcionar ambiente iluminado, tem, definitivamente, papel fundamental na percepção visual dos espaços celebrativos litúrgicos. A boa integração da luz natural e artificial à arquitetura e ao espaço por ela determinado deve favorecer ao acolhimento, à oração individual e estimular a ativa participação dos fiéis nas celebrações.


É certo que existem alguns critérios de qualidade da iluminação que deverão ser levados em consideração conforme o uso, local ou tarefa a ser executada. Esses critérios estão ligados a aparência do local (ambientes grandes, pequenos, profundos, curtos, altos, baixos etc.), das luminárias, características das superfícies, elementos de distribuição da luz nas superfícies, uniformidade da iluminação, luminâncias, aparência e contraste de cor, modelagem dos objetos e feições, controle e integração da luz natural, reflexos, brilhância, efeitos de tremulação e controle do sistema.


O conhecimento no trato da luz é essencial. A título de exemplificação, citemos o índice de reprodução de cor (IRC). O IRC,  que quantifica a fidelidade com que as cores são reproduzidas sob uma determinada fonte de luz, pode influenciar no psicológico das pessoas. Quando o índice de reprodução de cor é muito baixo, as cores reproduzidas são distorcidas e podem causar sensações indesejadas.


Em suma, a função do ambiente determinará a relação entre o espaço e a luz (também em seu caráter funcional) conforme a tipologia de atividade a ser desenvolvida atingindo os níveis mínimos de iluminância exigidos por norma técnica.


No caso de projetos de iluminação de espaços celebrativos litúrgicos, a iluminação funcional é importante para o conforto visual e, também, para segurança dos usuários. Contudo, para estes espaços, o tratamento ideal da luz em seu contexto global deve ser diferenciado, onde não se perceba a iluminação meramente funcional, mas que ela esteja integrada e distribuída harmoniosamente nos diferentes tipos e sistemas de iluminação.


Por meio da aplicação de variados níveis de iluminação, de graduações de brilho, da composição de luz e sombra e integração da luz natural com a artificial, é possível (e necessário) dar expressão ao ambiente e determinar, através da luz, a hierarquia dos espaços.


Dessa forma, os diferentes níveis de iluminação auxiliarão na condução do olhar para o mistério e o centro de toda a celebração.


No projeto da Capela para as Irmãs Beneditinas das Divina Providência, tanto a forma arquitetônica, quanto as aberturas projetadas e a iluminação calculada, vão ao encontro do Mistério, do que ali se celebra, do que ali se realiza, do que ali se vive! 


A pureza da forma, a limpidez de ornatos e o “locus” escolhido (em uma bela colina) foram fundamentais também para o êxito do projeto luminotécnico que, por meio de iluminação direta e indireta, oportuniza “o Encontro”.

Vista Interna da Capela – é possível notar a iluminação indireta
Vista Interna da Capela – verifica-se a iluminação de destaque
Vista Externa da Capela
Detalhe de um dos desenhos do projeto luminotécnico

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